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Espaço Ciência / SECTMA
1. Era uma vez ...:narrando a história Era uma vez três adolescentes que estavam questionando o porquê
das crianças de hoje não brincarem mais e viverem tão
atarefadas, com tantas responsabilidades. Elas queriam saber como
seus pais e avós brincavam e gostariam de descobrir uma maneira
de ajudar as crianças de hoje, inclusive elas mesmas, a voltarem
a brincar.
Descobrimos que brincar é se divertir e nos divertimos bastante. As meninas sonharam com um mundo onde toda criança tivesse a oportunidade de brincar, não importa onde vivam, pois descobriram que, ao longo do tempo, as brincadeiras se adaptam ao meio em que se vive. Perceberam que através da brincadeira, as crianças
entendem o mundo em que vivem, elaboram seus conflitos e desenvolvem-se. Esperamos que você também resgate sua criança interior e viaje conosco no mundo mágico do BRINCAR? PARA QUÊ?
2. Nosso caminho Entendemos que a aprendizagem não ocorre numa única
via de conhecimento e por isso, procuramos promover junto com as meninas,
diversas formas de aproximação da informação,
para que, paulatinamente, fossem fazendo suas descobertas e articulações. Começamos ouvindo o poema Casa de Brinquedos (Anexo 1) e registramos quais os brinquedos e brincadeiras favoritos de cada uma delas. Em seguida, lemos o texto “Por que é importante brincar?” (WEISS,1997). Visitamos a exposição de Brinquedos Populares no Museu do Homem do Nordeste, onde Macao Góes apresentava brinquedos populares recolhidos por todo o Brasil. Entrevistamos artesãos que faziam bonecas de pano e brinquedos de lata. Copiamos o texto que estava na exposição (Anexo 2), tiramos fotografias e compramos alguns brinquedos populares.
Aos poucos, fomos descobrindo a magia dos brinquedos populares. Lemos o livro O Baú de Brinquedos, de Edmílson Lima (1998) e visitamos o Mercado de São José no Bairro do Recife, onde compramos mais alguns brinquedos populares.
Ouvimos a música João e Maria de Chico Buarque e criamos o texto “Se meu brinquedo criasse vida ...” (modelo Anexo 3). Enquanto criávamos os textos, ouvíamos o cd Casa de Brinquedos de Toquinho. Lemos alguns tópicos do livro “A História dos Brinquedos” (VON, 2001) e fizemos a linha do tempo da invenção dos brinquedos. Descobrimos, no dicionário, que brincar é se divertir
e rimos muito com as invenções da Emília em “O
livro comestível” de Monteiro Lobato, na sua Reforma
da Natureza (1994). Pintamos, então, a nossa Emília
(modelo Anexo 4). Ficamos encantadas com a inteligência da esperta
boneca de pano e lemos o livro “A Boneca de Pano”, de
Rubem Alves (1998). Pintamos os sacos para a brincadeira de corrida de sacos e os elásticos para a brincadeira de pular elástico. Fizemos ainda um boliche com garrafas vazias de refrigerantes de 2l, recheadas de tiras de papel crepom colorido.
E brincamos com cada um dos brinquedos construídos, além das brincadeiras com saquinho, amarelinha, pular corda e banho de piscina.
Lemos o livro “A Loja de Brinquedos”, de Rubem Alves (1998), onde podemos sentir toda a magia de um espaço cheio de brinquedos e fantasia. Assistimos ao filme “Fábrica de Brinquedos”. Começamos a discutir o roteiro das entrevistas (modelo Anexo 5) com pais, avós, tios e crianças, pois começamos a descobrir que, antigamente, as brincadeiras eram mais nas ruas, as crianças tinham mais tempo para brincar e a perceber que algumas brincadeiras mudaram com o tempo. Entrevistamos avós, tios, amigos e vimos os olhos brilhando dos nossos entrevistados, um sorriso no rosto e um olhar de saudade, saudade dos bons tempos da infância.
Ao entrevistarmos as crianças de hoje, vimos que muitas só brincam de televisão e videogame. Lemos, então, o livro Liga-Desliga (FRANCO & PIRES, 1993). Analisamos as entrevistas e organizamos os seus dados em um gráfico de barras, que mostrava quais as brincadeiras preferidas dos nossos avós, dos nossos pais e das crianças de hoje.
Para brincarmos um pouco, seguindo a orientação de Ziraldo quando diz que “ler é mais importante que estudar”, lemos o conto “O soldadinho de chumbo”, entrando na fantasia dos brinquedos criarem vida e terem sentimentos. Essa situação também pode ser vivida nas histórias de Pinóquio e do “O mágico de Oz” e nos filmes Toy Story e Pooh. Pesquisamos as brincadeiras que existem nas diversas regiões do Brasil, lendo o encarte da Folha de São Paulo (16/04/2000). Descobrimos ainda uma brincadeira comum entre as crianças indígenas. Lemos as poesias “Convite” e “Paraíso”, de José Paulo Paes, “Meus Oito Anos”, de Casimiro de Abreu, “Ai que saudades”, de Ruth Rocha, “A Boneca”, de Olavo Bilac (conjunto em Anexo 6). Brincamos com fantoche e inventamos algumas histórias bem criativas. Entrevistamos um menino de rua que nos contou que gostava muito de jogar futebol e de brincar de saquinhos. Assistindo a dois filmes da Turma da Mônica que mostravam quando
uma criança da cidade ia para o campo e quando uma criança
do campo ia para cidade, percebemos como o contexto em que uma pessoa
vive interfere na sua forma de compreender o mundo. Na riqueza do cd Brincadeiras de Roda, Histórias e Canções de Ninar, percebemos como é importante que todas as crianças brinquem. No jornal da Missão Criança, projeto coordenado por Cristovam Buarque, descobrimos que algumas crianças não podem brincar porque têm que trabalhar e resolvemos nos mobilizar contra o trabalho infantil. Discutimos a importância de todas as crianças saberem de todos os seus direitos para que possam lutar por eles e ouvimos o cd Os Direitos da Criança e do Adolescente (Anexo 7). Pensamos em organizar um plano de intervenção junto a crianças carentes. Finalizamos o material para apresentação do trabalho (Anexo 8) e avaliamos todo o nosso percurso. Tivemos o cuidado de na apresentação do BRINCAR? PARA QUÊ? criar um ambiente que permitisse às outras crianças que o visitassem brincar como nós brincamos nas vivências do projeto. Terminamos o nosso trabalho com deliciosos momentos de brincadeiras no Parque da Jaqueira.
3. O que descobrimos Descobrimos que brincar é se divertir e, por isso, o brincar
pode acontecer em qualquer idade, desde que estejamos sendo criativos
e nos divertindo. Assim, ler é brincar, jogar é brincar,
estudar é brincar se for feito de uma forma criativa, bem como
trabalhar. Descobrimos que as crianças brincavam desde o tempo das cavernas, pois há registro, nas suas paredes, da brincadeira de cinco pedras, hoje, saquinhos de areia ou de arroz. Os faraós eram enterrados com bolas de gude, que na época eram de pedras preciosas. Já na Idade Média, o xadrez foi inventado para retratar as guerras da época. A boneca existe há muito tempo e em todas culturas, como nas indígenas. Os nossos pais e avós brincavam muito nas ruas de pega, de esconde-esconde, de academia, hoje chamada de amarelinha em algumas regiões do Brasil. Faziam os seus próprios brinquedos e inventavam as brincadeiras. Tinha bola de meia, boneca de pano, casinha de boneca toda feita de caixinhas de fósforo, carrinhos de lata. As crianças de hoje não podem brincar nas ruas porque não há segurança nem parques públicos. Não moramos mais em espaçosas casas, mas em apartamentos pequenos. Por isso, as brincadeiras que não mexem muito o corpo, estão entre as mais comuns, como videogame e televisão. Descobrimos que as brincadeiras preferidas pelas crianças nas diferentes regiões do Brasil são: NORDESTE CENTRO-OESTE SUL SUDESTE - SP NORTE Mas as brincadeiras não têm o mesmo nome em todas essas regiões e algumas também trocaram a forma de como eram conhecidas ao longo do tempo. DICIONÁRIO DE SINÔNIMOS DAS BRINCADEIRAS Amarelinha (academia, escada, macaca, sapata) Nas nossas visitas ao Mercado São José, Museu do Homem do Nordeste e lojas de brinquedos, assim como nas entrevistas com artesãos, vimos que há muita diferença entre os brinquedos populares e os industrializados, pois os populares são feitos um a um. Os brinquedos industrializados são feitos para uma determinada idade, de plástico em sua maioria, predominam as cores primárias (vermelho, amarelo e azul). Alguns brinquedos industrializados brincam sozinhos; é só apertar um botão. Já o brinquedo popular precisa da imaginação da criança para ganhar vida. Podemos observar a paixão dos artesãos pelos brinquedos populares nos trechos das entrevistas a seguir. Nome: Etelvina Nome: José Francisco Nome: Neci Quando entrevistamos o menino de rua vimos que, apesar do preconceito da violência e da marginalidade, as crianças da rua brincam como qualquer criança e inventam suas próprias brincadeiras, como podemos observar: Nome: Jefferson
4. Nossas conclusões Descobrimos que é fundamental que as crianças brinquem, pois assim estão resolvendo seus conflitos, desenvolvendo sua criatividade e compreendendo o mundo em que vivem. Por isso é importante que tenham um espaço e um tempo com liberdade para brincar de faz-de-conta, para brincar com o corpo, para aprender brincando. As crianças de hoje podem brincar mais, desligando a televisão, o computador e o videogame e indo brincar de pula-corda, elástico, pega-pega. Mas isso depende muito do lugar em que ela vive, pois o mundo de hoje não contribui para que as crianças possam expor suas fantasias. Os brinquedos populares têm uma magia que encanta e só quem brinca com eles sabe como é, pois são feitos um a um, com um carinho especial. Não é como os industrializados que são todos iguais, feitos por máquinas. Os brinquedos industrializados também estimulam a criatividade das crianças, pois elas podem brincar de casinha com a Barbie e desenvolver o raciocínio com o videogame. As crianças de hoje estão ficando adultas mais cedo, com muitas responsabilidades e estão sem tempo para brincar. Antigamente, todas as crianças podiam brincar na rua, nos quintais das casas, subir em árvores. Hoje em dia, as crianças ficam presas nos apartamentos, como pássaros em gaiolas. Além da rua não oferecer segurança, há
muito estímulo para brincadeiras dentro de casa, como televisão
e videogame, e as crianças ficam sem saber como é bom
brincar na rua, ao ar livre. As crianças precisam de mais parques
e locais seguros para brincar. Já os adultos precisam resgatar os seus momentos de lazer e transformar o lúdico em uma prioridade na sua agenda já tão cheia de compromissos. Uma alternativa pode ser a prática de um esporte ou de um hobby preferido. Não importa o que seja, mas que seja algo conectado com o prazer de criar, sem o compromisso com o resultado final, no sentido de ser algo produtivo. Não é à toa que o índice de problemas cardíacos provocados por stress está aumentando cada dia mais. O governo poderia investir mais em áreas de lazer e atividades culturais, pois estaria desenvolvendo um sistema preventivo de saúde. Vamos dar a todas as pessoas a oportunidade de brincar. Se a criança não brincar na infância, não será um adulto saudável, feliz. Não saberá resolver seus conflitos pela representação das múltiplas possibilidades que só a brincadeira ensina a construir. É importante que as escolas procurem introduzir atividades lúdicas em seu dia-a-dia. É importante que os pais ensinem a seus filhos as suas brincadeiras de infância e reservem um espaço livre apenas para o brincar. É importante que as crianças não fiquem estressadas com tantas responsabilidades e com uma agenda cheia de compromissos. É importante que as autoridades encarem a brincadeira como algo sério, como saúde mental. Só assim, teremos crianças felizes e adultos saudáveis.
Mas depois os vidros e as pedras, Então o pé da criança Pouco a pouco sem luz PABLO NERUDA, “Ao pé de sua criança”, Estravagario
5. Bibliografia BROTTO, Fábio O. (1997). Jogos Cooperativos: se o importante
é competir, o fundamental é cooperar! – Santos,
SP : Projeto Cooperação
6. Material Utilizado no Projeto para as Vivências
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