Sexualidade na adolescência

A adolescência é uma fase do desenvolvimento humano rica em transformações. Momento difícil, pois existem muitas perdas e a possibilidade de uma enorme variedade de caminhos a serem seguidos.
Dentro deste turbilhão de escolhas, o adolescente vive a sua sexualidade de forma plena, com transformações corporais, emocionais e na sua forma de entender o mundo. Os meninos começam a engrossar a voz, mas muitas vezes ela ainda sai mais fina do que quando ainda eram só uma ‘criança’; os braços parecem que ficam mais longos que as pernas e essa arrumação corporal dá aquela sensação de ‘como sou desengonçado’; pêlos por todo o corpo, espinhas no rosto, aumento do tamanho do pênis, polução noturna. As meninas começam a ficar com formas corporais mais arredondadas, os seios crescem, os pêlos engrossam (e começam as dores da depilação!!), as espinhas surgem, a menstruação começa a fazer parte de sua rotina mensal, atrapalhando muitas vezes o programa da praia ou da piscina com a turma. Para as meninas ainda há a questão do ‘corpo ideal’ que tem que ser conseguido a todo custo (quase todas pensam no ideal das ‘Giseles’), às vezes pagando o preço com distúrbios alimentares, como a anorexia. Tudo isso, leva à pergunta fatídica: ‘Espelho, oh, espelho meu, quem sou eu?”.

Informações não faltam para o adolescente e a adolescente. Mas poucos têm a possibilidade de conversarem sobre os seus sentimentos. Todos sabem que só pode haver relação sexual com camisinha, mas como chegar perto e fazer a coisa acontecer? “E se na hora H, não houver ereção? E se na hora H, eu não souber o que fazer? Ficar ou não ficar, eis a questão? Contar ou não contar para os pais que transo desde os 14 anos? Certo ou errado?”

Na época em que nós adultos de hoje éramos adolescentes as regras dos nossos grupos sociais eram rígidas e claras. Sabíamos o que se considerava certo/errado e podíamos até transgredir os valores morais de nossas famílias e de nossa sociedade. Hoje, qual a bússola do adolescente ou da adolescente?
É aí que entra a participação dos pais, dos educadores. Precisamos chegar perto, conversar, falar e ouvir o que essa turma tem a nos dizer. Quais são seus medos? Quais são seus projetos de vida? O que pensam sobre o amor?

Sexualidade não é apenas alterações no corpo, relações sexuais, possibilidades de reprodução.

Sexualidade envolve carinho, afeto, questões de gênero (o que é ser um homem ou uma mulher nessa fascinante sociedade pós-moderna?), respeito por si mesmo(a) e pelo(a) outro(a) e, principalmente, o mais antigo dos sentimentos e a energia que move o mundo – o amor. A mídia vende a imagem do descartável em versos como ‘não sou de ninguém eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também’, como se as relações baseadas no afeto fossem algo do passado, mas o que encontramos nos consultórios são adolescentes com carência de laços afetivos mais sólidos.

Que tal trazermos Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes e outros mestres da poesia para ajudarmos os adolescentes e as adolescentes a falarem sobre os seus ‘grandes dramas sexuais’?

De todo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso, e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
(SONETO DA FIDELIDADE - VINÍCIUS DE MORAES)